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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dia de preguiça

Hoje foi o dia da preguiça.Bem justificado este nome, porque foi uma semana pesada.Pesada para a cabeça. Esta semana fui chamada para ver dois corpos, mortos em completa solidão.
Foram achados, deitados em suas camas.O primeiro,devia ter falecido há mais ou menos 24 horas,em uma casa abandonada, sem portas ou janelas.Ao seu lado, sacolas plásticas com roupas,sem lenço nem documento.As moscas já tentavam entrar em seu corpo que agora servia de alimento.
O segundo já em estado avançado de decomposição era impossivel examinar sem oxigenio.De branco ficou negro, de magro ficou gordo.Os vizinhos de porta abandonaram suas casas pelo cheiro insuportável que exalava o corpo.Novamente as moscas, agora em bandos pareciam sugar sua face, sua boca.
Enquanto isto eu pensava, eles não eram amigos nem parentes, mas tiveram um final semelhante. Tiveram pais, irmãos, brincaram como todas as crianças, foram amados um dia. Será que nunca passaram lado a lado,beberam no mesmo bar,nunca se viram olho no olho?
Talvez sim, talvez não, mas a morte os encontrou quando dormiam,traiçoeira não os deixou nem verem pela última vez quem amaram, nem aqueles que sentirão saudade.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Por que Pelotas apaixona




Saudades da Miguel Barcelos 106, da Gonçalves Chaves onde de menina me tornei mulher,esta pessoa cheia de saudade.

É proibido

               
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Pablo Neruda                                                                                                                           

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Estou pensando em como um diagnóstico médico pode mudar uma vida?Será que eu preparo meu paciente para virar a esquina?Será que lhe dei a mão para atravessar a rua? A minha mão era firme, forte o aperto de mão?Como a maneira, o modo que se muda o destino do paciente é importante!
Sinto a importância, na carne, minha amiga espera um diagnóstico, e isto não me deixa em paz.Como eu queria poder dizer que houve um engano na biopsia, a peça foi trocada, os nomes eram quase iguais, um M foi trocado por N. Queria ouvir: - Desculpe-me senhora mas o envelope foi entregue em mãos erradas e o seu diagnóstico é apenas uma lesão benigna de fácil tratamento.Bah! Como seria bom!
Mas amigo  chora junto, sente a mesma dor física , amigo é para dar um abraço apertado, dar o próprio ar se for preciso.
Amigos viram a esquina juntos, lado a lado, dividem a dor e multiplicam o amor.
Marli, me dá a tua mão, eu vou contigo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pelotas, Kleiton e Kledir


Pelotas, estou com saudades de ti,ainda mais lembrada pelos queridos Kleiton e Kledir.
Realmente eles são maravilhosos, adorei encontrá-los aqui em Itajai,num show que foi lindo.Mais ainda porque Kledir lembrou que o meu nome é com Y.Mas bah, tri legal, isto porque fomos vizinhos, quando crianças.É muito gratificante vendo gente nossa vencer, e eles são os vencedores.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Lara Fabian - Je suis Malade

Vivi Paris, lindo demais.
Vou mudar aquela "folhinha” grudada na geladeira, o ano está acabando. Faço planos, faço uma lista de mil propósitos como se o ano fosse o responsável pelas mudanças. Desejo mais paz, saúde para quem amo, para a humanidade, para mim. Mas vejo que a mudança tem que acontecer em mim. Sou a responsável, a única responsável pelas minhas mudanças. Somos responsáveis únicos por nossas vidas e não o trocar de folhinha, nem os fogos que pintam o céu, a meia noite. O que permanece, aqui está porque assim o permito, o que virá eu permitirei. Isto me assusta, me deixa mais livre, e este livre arbítrio é maravilhoso. Esta liberdade teve um preço, muitas vezes muito alto, mas valeu. Vou caminhar pelas ruas que preferir, vou dobrar as esquinas que eu quiser, vou ouvir músicas e as pessoas que eu escolher, vou ver a minha praia, vou dormir quando tiver sono, comer quando tiver fome. Vou seguir este biorritmo, o meu relógio. Vou me achar mais e me amar mais. Pelo jeito já estou em 2011 e estou feliz comigo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

População de Rua

 

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Diante da constituição de 1988, estamos constrangidos, envergonhados, por atravessar a rua diante desta população de rua, desta sociedade formada pela fome, pela sede, pelo vicio, pelo abandono de seus parentes, pela insanidade mental muitas vezes gerada em defesa do seu próprio eu, pelo não cumprimento dos nossos deveres.
Sociedade que nasceu da igualdade do mau cheiro do seu próprio corpo, das doenças não tratadas, dos parasitas que alimentam. Sociedade que busca alimentação em meio ao lixo, da sociedade alheia.
Alheia, porque teve direito a educação, a saúde, a alimentação, ao trabalho, a moradia, ao lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância.
É muito difícil, sim, conviver com a vergonha da nossa omissão. Fazer saúde sentindo o cheiro dos seus corpos, das suas fezes, vendo as moscas pousarem de lá para cá, é constrangedor, é ameaçador.
Convivemos com o medo dos traficantes, que se aproveitam, com o medo de sermos assaltados. Sim, porque o vicio as drogas, ao álcool, gera “fissura” que gera a violência. Podemos ser as vitimas das vitimas.
Não estamos pedindo que “tirem” os moradores da nossa rua e que os deixem em outro lugar, no mesmo desamparo, no mesmo abandono, sem os seus direitos a cidadania. Não queremos deixar de ver a omissão da qual somos também responsáveis, queremos que esta sociedade de rua, gerada na miséria, seja educada, tenha saúde, tenha alimento, tenha trabalho, tenha casa, tenha lazer, tenha segurança.